
Uma grande mobilização política marcou as comemorações do Dia do Trabalhador neste 1º de maio, reunindo milhares de pessoas na Casa do Gaúcho, em Porto Alegre. O evento destacou a defesa de direitos e a importância da participação popular.
Ao longo do ato, deputados e pré-candidatos ao Senado e ao governo do estado subiram ao palco para celebrar a luta dos trabalhadores, reforçar a necessidade de união da classe trabalhadora, ampliar o diálogo com a sociedade e reafirmar compromissos com os direitos sociais.
Abrindo a sequência de falas, a deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS) resgatou o simbolismo histórico da data na capital gaúcha. “Estamos aqui para celebrar este 1º de maio junto da classe trabalhadora. Vale lembrar que, aqui na nossa capital, aconteceu a primeira caminhada de 1º de maio da história do Brasil”, destacou.
Na sequência, a deputada federal Daiana Santos (PCdoB-RS) enfatizou pautas ligadas às condições de trabalho, especialmente a redução da jornada semanal. “O presidente Lula colocou como urgente o nosso Projeto de Lei 67/2025, que trata da redução da jornada semanal de 44 para 40 horas. Isso vai ajudar todos os trabalhadores, mas principalmente as mulheres, que sofrem com o acúmulo de trabalho”, afirmou.
Também presente no ato, Edegar Pretto, pré-candidato a vice-governador pelo PT, reforçou o papel das políticas públicas na melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores. “Estamos aqui construindo uma nova história para o Brasil. Graças à luta de um ex-metalúrgico, Luiz Inácio Lula da Silva, os brasileiros poderão ter mais tempo para ficar com seus filhos. O fim da escala 6x1 está próximo de se tornar realidade”, disse Pretto.

O tom de valorização da vida para além do trabalho também foi destacado por Manuela d’Ávila, que chamou atenção para o caráter cultural do evento. “Este é um momento para afirmar que trabalhadores e trabalhadoras têm direito a uma vida além do trabalho. Quando as centrais trazem cultura, arte, samba, rock e economia solidária, mostram que a vida também pode ser alegre”, pontuou.
Já o deputado federal Paulo Pimenta, pré-candidato ao Senado pelo PT-RS, abordou a tramitação de propostas no Congresso Nacional e reforçou a centralidade dos trabalhadores na economia. “Hoje não é dia do trabalho, é dia do trabalhador e da trabalhadora, que constroem a economia deste país. Até julho, queremos colocar em votação no Congresso o fim da escala 6x1 sem redução de salário”, enfatizou.
Encerrando a série de falas políticas, a pré-candidata ao governo do estado pelo PDT-RS, Juliana Brizola, trouxe à tona a pauta da segurança pública, com foco na violência contra as mulheres. “Nosso estado vive retrocessos em várias áreas. Precisamos falar sobre a segurança das mulheres. Chega de feminicídios, chega de matarem nossas mulheres”, declarou.

Centrais sindicais
Representantes de centrais sindicais e de diversos movimentos sociais também tiveram papel de destaque, trazendo à tona pautas históricas como a valorização do trabalho, a geração de empregos, a melhoria das condições laborais e a ampliação dos direitos sociais. Em seus discursos, reforçaram a importância da união e da mobilização diante dos atuais desafios políticos e econômicos. “É preciso deixar muito claro que hoje é um dia de celebração, mas também de luta. Não podemos esquecer o que nos move e o que nos faz estar aqui nesta noite. Hoje é o Dia do Trabalhador, e precisamos lutar para que esses trabalhadores tenham mais tempo de descanso e possam estar com suas famílias”, afirmou Norton Jubelli, presidente da UGT.
Amarildo Cenci, presidente da CUT-RS, ressaltou a importância do evento e projetou ações futuras: “Este evento está fantástico, é lindo de ver, tanto aqui quanto no interior do estado. No ano que vem, em comemoração aos 110 anos da primeira greve, vamos realizar esse evento na rua, faça chuva ou faça sol”.
Além das manifestações, o evento contou com uma programação cultural, com shows musicais que animaram o público ao longo do dia, promovendo momentos de lazer e confraternização entre trabalhadores de diferentes categorias.
A combinação entre debate político e atividades culturais consolidou o ato como um espaço simbólico de luta e celebração, reafirmando o 1º de maio como uma data de reflexão, engajamento e defesa dos direitos da classe trabalhadora.

Shows reforçam a importância da cultura e ao direito ao lazer
Festival de 1º de Maio reuniu artistas na Casa do Gaúcho, em Porto Alegre, e destacou a cultura como trabalho, direito ao lazer e instrumento de mobilização social. Com shows e intervenções, o evento marcou o Dia do Trabalhador e da Trabalhadora como um momento de celebração, mas também de reflexão sobre as condições de quem vive da arte.
A apresentação de Chico Chico sintetizou o tom do festival ao defender a relação direta entre arte e trabalho. “Eu acho que essas coisas são indissociáveis: trabalho e arte. Eu exerço a minha cidadania através da minha arte. Isso é um trabalho como outro qualquer”, afirmou. O artista também chamou atenção para o reconhecimento mais amplo do fazer artístico: “O artista também é um trabalhador. E o trabalhador é um artista.”
Além da dimensão simbólica, o evento evidenciou o peso econômico da cultura no Rio Grande do Sul. O setor reúne mais de 410 mil trabalhadores e representa uma importante frente de geração de renda, embora ainda enfrente desafios relacionados à valorização profissional e ao reconhecimento como atividade econômica central.
Entre artistas, a percepção é de que a rotina de trabalho costuma ser intensa e pouco visível para o público. Camila Falcão, diretora artística e cantora do Bloco da Laje, destacou a sobrecarga enfrentada no dia a dia: “Nós artistas trabalhamos numa escala 7×0, porque normalmente fazemos outro trabalho durante a semana e nos finais de semana estamos em shows ou teatro.” Ela resume: “A gente vive de segunda a segunda trabalhando.”
As apresentações também reforçaram a arte como ferramenta de transformação social. Temas como o enfrentamento ao feminicídio, as desigualdades raciais e a valorização da cultura periférica estiveram presentes ao longo do festival, mostrando como a produção cultural pode atuar como forma de denúncia e conscientização.
Outro ponto recorrente foi a defesa de melhores condições de trabalho e de políticas públicas mais eficazes para o setor, além da importância de garantir tempo livre para que a população tenha acesso à cultura e ao lazer.
No encerramento, manifestações coletivas ressaltaram o caráter comunitário do trabalho cultural e a necessidade de união entre diferentes expressões artísticas. O festival, assim, consolidou a cultura como parte central das lutas do 1º de Maio, articulando arte, trabalho e direitos, e reforçando que o acesso ao lazer também é uma dimensão fundamental da vida dos trabalhadores.






Fotos: Clarissa Londero
Joni Oliveira
Rafa Dotti
Jornalista/Fonte
Brasil de Fato-RS